
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
NÃO DO AMOR. DE MIM DUVIDO. DO JEITO MAIS QUE IMPERFEITO QUE AINDA TENHO DE AMAR.
Percebo algo que não sei se passam os outros e outras,com seus acamados irreversíveis : uma frustração que me acomete, de não ter nada, nadinha que eu possa realmente fazer.
Amar,creio eu, não inclui expectativas.Não o Amor Ágape...
Mas eu tenho expectativas!
Gostaria que a tia Ivone tivesse alguma reação:mas ela permanece parada...
A medicação está correta, mas ela vai deixando tudo para lá... e o tudo dela não é quase nada:rádio,televisão,lanches gostosos.Hoje tive que ser dura para que ela ficasse de olhos abertos,para comer.
Ela quer ficar todo o tempo de olhos fechados.
Sabe Deus em que ela fica pensando!
Tenho lido sobre as fases dos cuidadores,ou responsáveis, e descubro minhas humanidades.
Difíceis de aceitar....
Pois a gente queria nossa velhinha mais sorridente...e isso é sim não aceitação do que ela pode ser,agora.
COM FREQUÊNCIA RECONHEÇO
A MINHA MÃO ESCONDIDA
DENTRO DA MÃO QUE RECEBE
A ROSA DE AMOR QUE DOU.
Essa foto postada pela Carolina Carol Carol mostra exatamente como me sinto,hoje,em relação a ela: eu é quem a coloca nesse colo...e a olha assim.
Então vou caminhando...entro no quarto e pergunto:
-Tia,quer água?
-Não...
-Tia ,quer algo para comer?
-Não...
-Tia,quer ver um filme?
-Não...
-Tia,quer um beijinho?
-Quero!
E a suposta mão sequelada,do lado direito parado, de um avc do passado agarra a minha tão forte que eu me torno a prisioneira do quarto!
ESPIANDO O MEU PRÓPRIO OLHAR,
ESCONDIDO ATRÁS ESTOU
DOS OLHOS COM QUE ME VÊS.
COMIGO MESMO REPARTO
O QUE PRETENDE SER DÁDIVA,
MAS DE MIM NÃO SE DESPRENDE.
A cada dia o cardápio de tia Ivone vai ficando difícil,mais dificuldade para mastigar e engolir.A prótese dentária machuca,diz ela.E sobra pouco para alimentá-la do jeito que ela gostaria....
Percebo também que certos gostos ela não mais distingue:ontem perguntou se estava bebendo suco de goiaba e era água de côco.Tem certas vontades que,uma vez satisfeitas,ela rejeita por achar ruim demais: coca,café preto,limonada.
E sobre a comida,ela quer o que não é mais possível dar: peixe frito..sardinha.Ela quer pegar a sardinha e morder,esse é o seu desejo, mas tem-se que catar e desfiar...aí ela recusa,diz que isso não é peixe!Outros peixes também.
Outro dia demos sorvete de creme e ela ficou feliz por estar tomando sorvete de côco.
Dança-se conforme esse tango louco que a vida da tia se tornou.
NÃO DO AMOR.DE MIM DUVIDO
QUANDO NO CENTRO MAIS CLARO
DA TERNURA QUE TE INVENTO
ENGASTO UM GOSTO DE PREÇO.
MESMO SABENDO QUE O PRÊMIO
DO AMOR É APENAS AMAR.
Thiago de Mello/Barreirinha
Março de 1984
Amor mais que Imperfeito
Paz e Luz
Cris
domingo, 24 de janeiro de 2010
ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA?SÓ CAIO F. SABERIA...
SÃO 02H15M, E ESTOU AQUI, DE PLANTÃO,OBSERVANDO A TIA...
HOJE ELA PEDIU PARA DORMIR,ESTRANHAMENTE, 21H.TENTEI CONVENCÊ-LA A ASSITIR UM FILME,ALGO ASSIM MAS ELA FOI CATEGÓRICA.
ENTÃO COMO OBEDIENTE QUE SOU ÀS VEZES, MEDIQUEI-A E ARMEI O CIRQUINHO DELA: RICARDÃO(AQUELE ROLO DE ESPUMA PARA SE ABRAÇAR,AO DEITAR...QUE ELA CHAMA DE ""MEU MARIDO"" E EU DE ""MEU TIO""),VENTILAÇÃO ADEQUADA,INCLINAÇÃO DA CAMA PERFEITA.
E VIM PARA A SALA, LER SOBRE A VIDA DE GANDHI,PARA VER SE APRENDO....ACABEI ADORMECENDO E....
SENDO ACORDADA POR ELA, DESESPERADA.
ELA,PRIMEIRO ME DISSE QUE HAVIA UMA BOLHA ENOOOOORME DEBAIXO DELA E CHEIA DE ÁGUA!!!
ERA A BÓIA PARA NÃO ABRIREM ESCARAS.
QUANDO FUI TIRAR, VI QUE ESTAVA XIXADA.TROQUEI-A E
....TCHAN TCHAN TCHAN!!!
ELA COMEÇOU A GEMER,GEMER,GEMER...E DIZER QUE ESTAVA COM UMA DOR HORROROSA NOS QUADRIS.
DE CARA EU EMBARQUEI NA DOIDICE ,OU SEJA, ME ESTRESSEI LEGAL.ALIÁS DEVO DIZER QUE ACORDEI COM A IMPRESSÃO DE QUE AS PROFECIAS ESTAVAM SE CUMPRINDO( ESSA ONDA DE 2012...) E O MUNDO ESTAVA ACABANDO,ANTECIPADAMENTE, EM VINTEDEZ.
DEPOIS, LEMBREI QUE SÓ HOJE ELA INVENTOU OUTRAS TANTAS HISTÓRIAS QUE, NA CABEÇA DELA, ERAM DOLOROSAS.POR EXEMPLO: A DRA SABRINA PRESCREVEU UMA SALIVA ARTIFICIAL(POIS ELA DORME DE BOCA ABERTA E RESSECA LÁBIOS,LÍNGUA) PARA SER USADA SEMPRE. EU COMPREI OUTRA MARCA ,POR ESTAR EM FALTA A RECOMENDADA.
POIS A TIA DISSE QUE ""ARDIA FEITO PIMENTA!""
EU TESTEI E...NADA, SÓ O GOSTO DO BOM E VELHO CUSPE.
ENTÃO MEXI NELA PARA VER SE ERA MESMO DOR O QUE SENTIA: ERA.
A VELHA DOR QUE OS MÉDICOS DIZEM QUE DEVE SER BRONCA E QUE FICA SÓ NO BUSCOPAN MESMO.POIS INFECÇÃO,NEM PENSAR.FAZEM 10 DIAS QUE AS ESPETADAS CRUÉIS ACABARAM.TANTO QUE EU DISSE A ELA:
""SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!!!! "" E ELA RIU MUITO.
ENTÃO,PÓS BUSCOPAN, ME PREPAREI PARA CHAMAR A AMBULÂNCIA ,FIQUEI SENTADA NA POLTRONINHA DO QUARTO.
BOLSA DE ÁGUA QUENTE E UM ANSIOLÍTICO TAMBÉM ENTRARAM EM CENA.
EU COLOCO A CAMA HOSPITALAR DELA BEM ALTA, PARA A LUZ DO ABAJUR NÃO INCOMODAR.ENTÃO ELA NÃO ME VÊ SENTADA, AO LADO.
FIQUEI CONTANDO OS MINUTOS, POIS OS MÉDICOS DO ATENDIMENTO EMERGENCIAL BY FONE MEDICAM E TELEFONAM 40 MINUTOS DEPOIS,PARA SABER O EFEITO.QUANDO ELA DORME, DEPOIS DE MEDICADA, A DOR NÃO ERA NADA TÃO GRAVE E SIM,ADMINISTRÁVEL. NÃO SE DORME COM UMA DOR TÃO FORTE,SEGUNDO ELES.
ALÍ,PERTO DELA, PERCEBI QUAL É O SEU FUNDO MUSICAL:
ROLLING STONES...
I CAN GET NO
SATISFATION
I CAN GET NO
SATISFATION
AND I TRY...
AND I TRY...
AND I TRY...
AND I TRY...
I CAN GET NOOOOOO SATISFATIOOONNNNN !!!!!
FUI,DORMIR, QUE ELA APAGOU.AND I NEED SAME SATISFATION...
PAZ E LUZ
CRIS
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
É preciso saber ouvir!
Saber ouvir é uma arte que exige paciência e treinamento mesmo.
Nossos queridos "velhinhos" precisam muito ser escutados, mesmo com suas queixas e dores diárias... É preciso saber ouvir!
Para aprender essa arte, aí vai um texto. Espero que gostem e lhes seja útil!
ESCUTATÓRIA
Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciando curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para não ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, de como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele tem a dizer não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela Revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".
Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". e assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livre dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não ouvia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
* * *
Por isso, quem tem ouvidos, que OUÇA! :)
Amor e Luz,
Carol
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
DEUS EXISTE, O AMOR É LINDO,""TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA"",E O MAIS IMPORTANTE É O VERDADEIRO AMOR !!!
E teve seus 4 dentinhos limpos,tratados, com Amor verdadeiro.E profissionalismo.Tão doce é a criatura que a tia deu seu coração flamenguista para ela!
Uma cena muito bonita...
Então o post de hoje tiro da revista Vida Simples, matéria sobre GRATIDÃO.
Para os que ainda não me conhecem bem,faço parte de um Instituto chamado INSTITUTO SRI SATHYA SAI DE EDUCAÇÃO EM VALORES HUMANOS,reginal Rio.Mas estou ""de licença"" para cuidar da tia,Um método de Educação criado na Índia, que se espalhou pelo mundo, pelo Brasil.Cursos gratuitos que devem ser repassados gratuitamente também...
Minha leitura do mundo e meu esforço por reforma interior passa pela vivência e reconhecimento dos Valores Humanos.
Pois a GRATIDÃo é um subvalor do AMOR.
Vamos lá...não digitarei a matéria inteira, mas trechos que são muito interessantes..Nem tenho mãos para isso...fica para a Carol, que conheci nesse curso de EVH.
REVISTA VIDA SIMPLES,FEVEREIRO DE 2010,EDIÇÃO 89
TEXTO :LIANE ALVES
ARTE:ADRIANA WOLFF
AQUILO QUE VOCÊ COMPARTILHA
TANTO SE FALA DE AMOR POR AÍ QUE ÀS VEZES ATÉ SE ESQUECE DAQUELA QUE,TALVEZ,SEJA UMA DAS ATITUDES MAIS AMOROSAS E FUNDAMENTAIS QUE EXISTEM: A GRATIDÃO.
GRATIDÃO É ISTO: O RECONHECIMENTO DE UM ATO DE AMOR,OU DE CONSIDERAÇÃO,VINDO DO OUTRO.É TAMBÉM A CONSCIÊNCIA DO QUE RECEBEMOS DE BOM DA VIDA.E UM OLHAR MAIS GRATO E APRECIATIVO DO MUNDO E DAS PESSOAS PODE TRANSFORMAR RADICALMENTE NOSSA MANEIRA DE VIVER. É DESE TIPO TÃO ESPECIAL DE SENTIMENTO, A GRATA APRECIAÇÃO - QUE TANTO NOS FAL FALTA E QUE TEMOS TANTA DIFICULDADE EM EXPRESSAR -,QUE VAMOS FALAR AGORA.DEGUSTE CADA LINHA,POIS ELAS PODEM MUDAR SUA VIDA.
FIZ UMA PEQUENA ENQUETE ENTRE MEUS AMIGOS COM A SEGUINTE PERGUNTA:
""QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ EXPRESSOU SUAGRATIDÃO?""
ESTAVA PEDINDO UM GESTO CONCRETO ,NÃO APENAS O RECONHECIMENTO DO SENTIMENTO OU UM ABRAÇO FORMAL,MAS A MANIFESTAÇÃO EXTERNA DAGRATIDÃO PELO QUE O OUTRO FEZ POR MEIO DE UM PRESENTE,UM CONVITE,UMA OFERTA DE ALGO MAIS PESSOAL.FOI CONSTANGEDOR.
""VOCÊ REALMENTE PRECISA DESSA RESPOSTA AGORA!?"",ME RESPONDEU A MAIORIA. UM DELES ATÉ ADMITIU:""TUDO QUE FIZ DE BOM ULTIMAMENTE FOI SÓ POR INTERESSE,PARA TER ALGO EM TROCA.ACHO QUE NÃO VALE,NÉ?""RESOLVI DAR UM TEMPO PARA TODOS PENSAREM E VOLTEREM A EME LIGAR.NINGUÉM SE HABILITOU. AH,SIM,ACABOU ME TELEFONANDO UM FOTÓGRAFO DE 35 ANOS,QUE ME DISSE,ISSO MESMO,HÁ PELO MENOS 20 ANOS,TINHA CONVIDADO A MÃE PARA JANTAR UM X-SALADA COM SEU PRIMEIRO SALÁRIO COMO OFFICE-BOY.FIQUEI PASMA.
E AÍ RESOLVI FAZER EU MESMA A PERGUNTA PARA MIM:
QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOC6E EXPRESSOU CONCRETAMENTE SUA GRATIDÃO?"
FIQUEI PASMA TAMBÉM.NÃO CONSEGUI ME LEMBRAR DE NADA SIGNIFICATIVO.
DEPOIS DESSA INTRIGANTE REVELAÇÃO,UMA FRASE DO PENSADOR LA ROCHEFOUCAULD FICOU ME MARTELANDO NA CABEÇA.ELA DIZ QUE NOS LEMBRAMOS COM UMA NITIDEZ INCRÍVEZ DE QUEM NOS FEZ MAL,MAS QUE QUASE NUNCA NOS RECORDAMOS DE QUEM NOS FEZ BEM.E MUITO MENOS AGRADECEMOS.
""QUANDO PEÇO ÀS PESSOAS QUE FAZEM COACHING(ACONSELHAMENTO PROFISSIONAL)SE LEMBRAREM DE ALGO PELO QUAL PODEM SER GRATAS, NORMALMENTE DÁ UM BRANCO"",EXPLICA A PSICOPEDAGOGA DALVA ARRAES.""A PALAVRA GRATIDÃO SE REFERE AO RECEBIMENTO DE UMA GRAÇA,POR ISSO FALAMOS EM AGRADECER,QUE SOMOS GRATOS.TODOS ESSES TERMOS TÊM A MESMA RAIZ. E RECEBER UMA GRAÇA SIGNIFICA QUE SOMOS ABENÇOADOS , QUE OBTIVEMOS UMA GRAÇA,QUE POR SUA NATUREZA É GRATUITA,OU SEJA,QUE NÃO DEPENDE DO NOSSO MERECIMENTO E QUE NOS CHEGOU INESPERADAMENTE.O PROBLEMA É QUE NÃO NOS DAMOS CONTA DO QUANTO ISSO É IMPORTANTE E ESPECIAL"",DIZ.
MAS POR QUE SOMOS ASSIM?A RESPOSTA REVELA ALGO QUE ESCONDEMOS COM MUITO DESLEVO : NOSSO EGOÍSMO.(Continua na próxima postagem..)
Segura peão!!!É sério...
Aí no trecho da matéria o motivo pelo qual adotei minha tia:uma gratidão enooooorme pelas delícias de minha infância. Delícias à distância, pois passei a morar em Recife com 4 anos de idade.A tia sempre me amou profunda e incondicionalmente.A tia trabalhava em uma butique em Ipanema,infantil, e então, em maio e dezembro,chegavam aquelas pacotes pelo correio cheios de roupas lindas...e eu me vestia como uma princesa.Mesmo sabendo que meu pai tinha um ótimo trabalho,funcionário federal,ela fazia isso.
E quando,em férias, eu vinha para o Rio, era muito colo, dengo,carinho.Ela me levava para a casa dela e fazia tudo o que eu adorava comer.O tempo passou e isso nunca mudou.Ela teve um filho, aos 40 anos e isso não mudou.
Pois é isso...
Quero ainda dizer de minha gratidão eterna pelos meus amigos ,sempre ao meu lado em todos os momentos. Em especial os 3 mosqueteiros das estrelas;o cavaleiro andante que formata meus blogs;pelos que conheci na Índia e que até hoje estão em minha vida, por um certo morador de Curitiba,e as pessoas que seguem esses blog e carinhosamente comentam(como uma certa loura de voz bela);sou grata à vida por um sem número de belos encontros,tipo o pessoal da comunidade da Rosana Nied,sou grata à existência de uma Pessoa , ao meu adorável Adiel,a todos que já passaram pela minha vida e deixaram heranças culturais e espirituais,aos profissionais de saúde que me tratam e trataram a tia ou o Adiel(postagem de 26 de maio de 2009).
A gratidão me toma sempre que olho o céu estrelado ou o céu nublado,num surto doce,contemplativo,agradeço a essa Ordem Universal que nos faz nascer em uma família e não em outra...
Agradeço àqueles que são difíceis para mim,me ajudando dessa forma a me superar e crescer em compaixão e tolerância.
A todos os professores de todos os cursos que fiz.
Agradeço a mim mesma por ter sobrevivido a tantas dificuldades na infância e adolescência, a tanto racismo e ter superado surpreendentemente.
E por nunca ter desistido dessa proposta de vida inclusiva,reforçada ao conhecer meu Grande Bem : Swami.
A HUMANIDADE É UMA COMUNIDADE. SE FERIR A SI MESMO,FERIRÁ A TODOS.
SATHYA SAI BABA
Paz e Luz
Cris
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O sentimento da dor e o sofrimento humano
Viktor Frankl em seu interessante livro "Em busca de Sentido: um psicólogo no campo de concentração", conta-nos a experiência de ter sido preso, por ser judeu num campo de concentração nazista, durante a segunda guerra mundial. Neste local podia perceber que, enquanto alguns prisioneiros se entregavam ao desespero e morriam rapidamente, outros conseguiam superar os muitos sofrimentos e levar a vida adiante com galhardia, auxiliando e liderando seus companheiros. O autor definia que a grande diferença entre uns e outros é que os que superavam as crises eram os que conseguiam ver algum sentido naquele sofrimento e este conhecimento levava-os a se superar e vencer, enquanto os que não conseguiam ver sentido nesta condição deixavam-se vencer pelo desespero e pela morte.
Com este primeiro conceito poderíamos considerar que o que nos leva a sofrer e a temer não é tanto a dor e a limitação física, mas a falta da percepção do sentido destes sofrimentos para a pessoa humana. Efetivamente uma dor que se nos apresenta com um sentido maior e objetivo , perde muito de sua carga de sofrimento. A mãe que está dando à luz certamente sofre e tem dores, mas a perspectiva do nascimento do filho tira o possível desespero que poderia advir de uma dor sem sentido; o mesmo se diga de um tratamento dentário, no qual se sabe que aquela dor transitória nos irá poupar de dores maiores e de riscos de infecção. A mesma pessoa que se revolta perante a descrição de um campo de concentração em que os prisioneiros são obrigados a trabalhar e recebem muito pouca comida, aceita de muito bom grado pagar pelo mesmo tipo de tratamento num Spa.
O mesmo Viktor Frankl em seu livro "Sede de sentido" relata-nos o estudo de 60 universitários da Idaho State University que haviam tentado o suicídio pelo menos 1 vez. Em 85% dos casos (51 estudantes) foi indicada como causa "Life means nothing to me", ou seja "a vida não tem sentido para mim". Destes 51 estudantes, 48 estavam em excelente condição física, viviam em condições econômicas bastante satisfatórias e não tinham conflitos familiares, ou seja 93% daquelas pessoas para as quais a vida nada significava, não tinham do que se queixar.
É-nos fácil perceber, nestas condições que pessoas que tenham uma visão mais apurada de valores transcendentes como valores de ideais humanos ou religiosos, encontram-se naturalmente mais aprelhadas para enfrentar o problema do sofrimento e da morte.
Como já referimos anteriormente, não se trata de considerar a dor ou a doença como algo bom, não se trata de masoquismo, mas de entrever, numa realidade desagradável, desafiadora e inevitável seu potencial de desenvolvimento humano enquanto fator educativo do caráter e da validação das coisas verdadeiramente importantes e transcendentes para cada um de nós.
Retirado do livro: "Finitude - Uma proposta para reflexão e prática em gerontologia" - Autora: Ligia Py
Páginas: 109 - 110
Amor e Luz,
Carol
domingo, 17 de janeiro de 2010
Precisa de um empurrãozinho?
Texto: Mariana Delfini
Imagine um aperto bem fundo no peito, uma angústia que quase faz explodir, e então passe imediatamente para o grito, imagine o grito mais alto que se possa dar no mundo, para o mundo, de cima de uma montanha. Pronto, agora respire. Daqui a alguns dias, escale tudo de novo, encha o pulmão de ar e... você já sabe o que fazer. Quem não tem uma montanha sempre à mão ou não pretende subir e descer para sempre talvez devesse continuar lendo este texto. Indicamos uma forma mais silenciosa, elaborada e duradoura de desabafo: escrever.
Quem já fez um diário sabe que, depois de registrar os pensamentos confusos e os sentimentos inconfessáveis, a gente sente um alívio parecido com o do grito ou do choro. Mas, como escrever é um pouquinho mais sofisticado que simplesmente sair esperneando por aí, colocar toda a dor em palavras ultrapassa os benefícios do choramingar e funciona como uma terapia. “A escrita pode acelerar o tempo de superação ou de adaptação a uma tristeza”, explica James Pennebaker no livro Abra o Seu Coração – O Poder de Cura Através da Expressão das Emoções. O psicólogo estuda desde os anos 1990 melhoras na saúde de pacientes que escreveram sobre traumas por que passaram, e já chegou a resultados interessantes em diferentes experimentos. Por exemplo, ao analisar questionários de pessoas cujos cônjuges tinham morrido, concluiu que aquelas que falaram sobre a morte relatavam menos problemas de saúde. Em outro trabalho, levantou com testes de sangue a eficiência dos sistemas imunológicos de pessoas que escreveram sobre seus traumas por alguns dias, e constatou que ela era maior que a do grupo controle, que passou o mesmo período escrevendo sobre amenidades.
“Aparentemente, falar sobre um trauma é uma resposta humana natural. Quando essa resposta é bloqueada ou inibida, o resultado é estresse e doença”, escreve o psicólogo. “Quando usamos uma linguagem para relatar um fenômeno, isso altera a forma como esse fenômeno é representado e entendido em nossa mente.” Em outras palavras, é como se você estivesse contando para você mesmo uma história nova, mas que você conhecia há muito tempo. “Ao escrever, nós pensamos e fazemos associações com outras vivências. Descobrimos emoções encobertas por sentimentos que pareciam óbvios”, diz a psicóloga Cristiane Moreira.
Para todos
Por mais íntimo que seja esse processo de autoconhecimento, ele não se furtou de também entrar na onda de visibilidade dos últimos anos, junto com os reality shows, a explosão das webcams e das fotografias dos paparazzi espiando por detrás dos arbustos. Os blogs trocaram os cadeados e esconderijos dos diários e agendas adolescentes pela publicidade da internet e têm inclusive comentários dos leitores. Existem, claro, diversos tipos de blogs, e nem todos trazem detalhes sordidamente íntimos em letrinhas e emoticons – dos jornalísticos, associados por vezes a empresas de comunicação, aos diários pessoais virtuais, com os menores detalhes das atividades mais insignificantes de seu autor. Mas em alguns deles o grito é quase audível entre textos mais ou menos elaborados, com fundo sóbrio ou colorido. Não é que eles sejam escritos todos em maiúsculas, como pede a convenção do desespero e da raiva na internet, mas falam de dores profundas dos seus autores, como o dia a dia de um tratamento de saúde, a morte de alguém querido, as dificuldades para conviver com uma doença grave e assim por diante. Post após post, revelam angústias que até então pareciam indescritíveis. E por que gritar assim para tanta gente?
“Jogar um pouco daquilo para fora foi como uma catarse”, diz Luiz Fernando Vianna, que desde maio de 2007 escreve sobre seu filho Henrique no “A vida do meu filho” (http://a vidadomeufilho.blogspot.com). Um ano antes, sua ex-esposa se mudara para a Austrália com o novo marido, sem avisar Luiz Fernando e com uma autorização de levar Henrique cedida por uma desembargadora às pressas, em um sábado. “Três oceanos separam agora meu filho de mim. Mas, se ainda posso acreditar em alguma coisa, penso que há sentimentos que a distância, a ausência e a manipulação alheia não matam”, escreveu nas primeiras postagens. As ações judiciais e a luta para reaver o filho, que é autista, são narradas em detalhes no blog, entremeado por lembranças, reportagens sobre autismo e fotografias de Henrique. “Eu não sei escrever sem que alguém leia”, afirma Luiz Fernando, que foi acostumado pelo jornalismo a ter leitores. “Me ajuda saber que tem gente lendo, pelo menos meia dúzia de pessoas. Eles me dão um retorno”, diz. Para além da finalidade terapêutica, assume que tinha também objetivos bem práticos ao começar o blog: ecoar sua história nos ouvidos da Justiça e, com isso, pressionar os desembargadores para julgarem rápido os recursos que encaminhou. Um grito de desespero que, nesse caso, não funcionou: a decisão foi a favor da mãe.
O diálogo
A perspectiva de escrever para alguém e não para a folha em branco é uma das grandes mudanças na passagem do diário íntimo para o blog público. Por um lado, o olhar do outro ajuda na percepção da própria dor, quando os comentaristas enviam mensagens solidárias, dicas e até histórias semelhantes, que quebram a ilusão de que se está sofrendo sozinho. “Você não fica fechado em si mesmo, sofrendo e se achando o centro do mundo”, diz Luiz Fernando. Por outro lado, a expectativa da reação dos leitores provoca mudanças no próprio teor do desabafo. “Apesar de não ter uma presença que emite julgamento, o autor sabe que será lido por outras pessoas, e que isso acarreta tanto opiniões quanto possíveis reações contra ele. Essa consciência faz com que filtre o que escreve”, afirma Cristiane. Para Luiz Fernando, aconteceu de censurar-se às vezes, quando os textos estavam virulentos demais contra a mãe de Henrique. “Antes eu escrevia qualquer coisa que vinha no fígado, mas agora procuro evitar isso. Até porque a raiva perdeu um pouco a validade”, diz. Mas os comentários negativos que surgiram no começo, de leitores duvidando da história ou dizendo que ele estava sendo parcial (“É a minha versão que está ali, mas é o que eu considero a verdade”, ele diz), estão lá. Só não autorizou a publicação de um que ofendia a mãe do menino: “Ia virar uma execração em público, o que não era o caso”.
Os comentários são essenciais para a sobrevida do blog. Já que está aberta a possibilidade de troca, o blogueiro espera algum feedback sobre seus posts e as histórias que está contando. Ter leitores foi o que fez com que Cris Guerra estabelecesse um compromisso com a escrita e postasse com regularidade no “Para Francisco” (http://parafrancisco.blogspot. com). Lá, ela registra há mais de dois anos algumas lembranças do Gui, o pai do seu filho, que morreu pouco antes de ela dar à luz. Os textos sensíveis sobre Gui são direcionados ao filho, e alternam-se com novidades sobre ele, músicas e fotografias. Há também um post-réplica que provocou um turbilhão no blog, na Cris e nos leitores – tem hoje mais de 300 comentários. É a resposta dela a uma anônima que disse o seguinte: “Cris, acho que você mudou muito. Te acompanho desde o começo do blog. Me desculpa ser tão franca, mas acho que você ficou muito metida depois que ficou tão conhecida. Parece que você quer só aparecer e nem posta mais no Para Francisco, e quando posta, as mensagens nem nos comovem tanto quanto antes”.
“Nossa, eu fiquei p... demais”, ela diz, rindo. Mas deixou lá, publicado, e em vez de calar o grito retrucou de maneira ponderada. “A maneira como você vai lidar com os comentários é quase um exercício zen”, diz. “Eu acho que as pessoas se sentem no direito de falar coisas que eu não me sentiria no direito de falar.” Como se a conhecessem? “Sim. Eu me expus demais, não fiquei pensando nas consequências nem me arrependo. Mas existe uma diferença: uma coisa é eu me expor, outra é abrir minha vida para a possibilidade de alguém dar algum palpite. Existe uma linha tênue que separa as duas coisas.” Por onde passa essa fronteira?
A sintonia
Se não há sequer como definir essas regras de sociabilidade na “vida real”, no blog, com a proteção do anonimato, não dá para exigir uma observância a regras de etiqueta. Mas as aproximações, assim como as interferências agressivas, acontecem. Em alguns blogs, a identificação dos leitores com o autor arregimenta novas vozes. “É possível que os diaristas virtuais busquem no outro um espelho”, escreve a jornalista Denise Schittine em Blog: Comunicação e Escrita Íntima na Internet. O blog cria ligações e acaba formando pequenas redes fundadas em torno de afinidades. São de comunidades de interesses específicos, unidas tanto pelos comentários quanto pelos links que levam a outros blogs e sites de conteúdo semelhante. Os leitores do “Diário de uma fóbica” (http://diariodeumafobica. blogspot.com) são pessoas que também sofrem de transtornos de ansiedade e até trocaram contatos de MSN com a autora, que se apresenta como “Menina”. No “Anorexia: diário da minha outra personalidade” (http://anorexica.zip.net/index.html), não é raro encontrar comentários como o de Jéssica: “Pelos posts seus que li, era como se fosse eu mesma falando comigo”. No “Diá rio de uma domadora do câncer” (http://reghynynha. blogspot.com), a história de Regina Oliveira contra um câncer na glândula suprarrenal ganhou “colaboradores” esparsos: leitores que também passam por quimioterapia e acrescentam novas informações ou depoimentos relacionados a alguns posts.
O suspiro
A polifonia da comunidade que se forma diminui um pouco a solidão de que Regininha fala no primeiro post. “Quem nunca teve câncer não faz ideia do que significa ouvir do médico que tudo está bem. Não sabe o frio de medo que passa pelo corpo cada vez que se abre o resultado de um exame de controle”, diz. Depois de dez meses de tratamento, ela está curada, e mantém o blog atualizado com notícias por causa dos leitores. “Eles me cobram quando fico muito tempo sem escrever, e eu quero ajudá-los.”
Os blogs do Luiz Fernando e da Cris Guerra, que foram catarse, desabafo e terapia também para eles, seguem com posts mais “frios”, mas seguem em frente, atualizados. Vão ainda ecoar como um registro de tanta coisa que passou. “Com a publicação do livro, que se originou do blog, meu luto se encerrou, minha vida continua. Mas o blog é um registro daquela urgência que eu tinha, e vai continuar lá”, diz Cris. Diferentemente do Francisco, que vai mesmo conhecer o blog criado para ele, o Henrique não vai conseguir ler sobre sua vida. Mas sua história vai continuar na rede. “O blog é uma maneira de eu deixar um legado para ele, e também de nos comunicarmos. Como eu só o vejo uma vez por semana pelo Skype e ele só fala algumas coisinhas, eu uso o blog para me comunicar de uma maneira indireta com ele. É uma espécie de diálogo entre nós dois.”
Retirado da Revista Vida Simples: dezembro 2009/edição 86, páginas 42 - 47